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domingo, 28 de novembro de 2010

Sem agenda, Dilma recusa convite para ir aos EUA antes da posse

A presidente eleita Dilma Rousseff informou ao governo dos Estados Unidos que não poderá aceitar o convite do presidente americano, Barack Obama, para visitá-lo em Washington antes da posse. Ambos os governos afirmam que a decisão é motivada apenas por questões de agenda e pelo esforço de Dilma em montar sua equipe de governo.

"Temos a intenção de fazer o encontro o mais rápido possível", disse o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, um dos principais conselheiros da presidente eleita. Garcia conversou sobre a visita com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon. Eles comentaram ser importante mostrar que haverá avanços na agenda bilateral, apesar da impossibilidade do encontro antes da posse.

Entre integrantes do comitê de transição de Dilma, havia comentários de que a presidente herdou do governo Luiz Inácio Lula da Silva o relativo esfriamento nas relações com a Casa Branca — e só iria a Washington se houvesse grande flexibilidade de datas por parte do governo Obama. Garcia nega qualquer desconforto entre os dois governos e diz que haverá intensa relação bilateral com os Estados Unidos.

"Criamos várias comissões de cooperação e a de energia foi coordenada por Dilma, pelo lado brasileiro", lembrou o assessor. "Queremos dar caráter ainda mais objetivo e efetivo a essas comissões."

Dilma tem a expectativa de que Obama possa incluir o Brasil na viagem que o presidente americano pretende fazer à América Latina no ano que vem. Segundo um assessor, a presidente eleita tem a intenção de reforçar o apoio à diplomacia "multipolar" e buscará combinar os contatos com os Estados Unidos com uma maior aproximação com a China, além de dar prioridade para a América Latina.

As relações entre os governos brasileiro e americano continuam intensas nos temas setoriais, com visitas de autoridades de comércio, de Defesa e de cooperação técnica. O ousado voto do Brasil, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, contra as sanções ao Irã marcou, porém, um congelamento nos contatos entre os presidentes Lula e Obama e entre o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim e a secretária de Estado Hillary Clinton.

Garcia não confirma o esfriamento nas relações e diz que divergências são naturais entre governos com muitos interesses e relação intensa. "O presidente George Bush também não deve ter gostado quando propusemos um outro modelo para a Área de Livre Comércio das Américas, ou quando fomos duros contra a invasão do Iraque", comparou.

"Também há diferenças com a Argentina, mas normais, sem afetar a relação dos governos", acrescentou, negando que o embaixador do Brasil em Buenos Aires tenha sido ofendido pelo secretário de Comércio Interno argentino, Guillermo Moreno, em recente discussão sobre barreiras comerciais a produtos brasileiros.

Garcia revela que o tema política externa ainda não foi discutido em profundidade pela presidente eleita, que se concentrou, nos primeiros dias após a eleição, na discussão sobre escolha de ministros e seu programa econômico. "A política externa não é problema, tem sido muito mais solução", argumenta Garcia, que prevê "continuidade" da atual política, no governo Dilma, com mudanças "pontuais, aqui ou ali".

Da Redação, com informações do Valor Econômico

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=142384

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